mão – translação da casa pela paisagem

Escolhemos a rua. Nela se pode intuir algumas trajetórias ao olhar o que está sendo construído pelas mãos, e ainda distrair-se ao redor, sendo oblíquo, vendo o céu. Há uma pequena imobilidade quando se escolhe ver pelas mãos. Aproximem-se. Há também silêncios, sonos e palavras.

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Tendo como ponto de partida criar uma intervenção circense ao ar livre, o espetáculo traz ao público a construção, ao vivo, de uma estrutura de 8 metros de altura, feita de ferro e madeira. Movimentos ordinários de uma construção, como aparafusar, carregar, encaixar, se misturam aos equilíbrios em pêndulo, às escorregadas arriscadas em uma enorme rampa de madeira, aos saltos e giros, durante a apresentação. A performance, que acontece desde o momento em que os 7 artistas invadem a praça em um carro/frete/sonoro, leva aos espectadores que estiverem passando, as inúmeras formas de expressão que existem no toque, na ação do construtor, no simples deslocamento de tubos, ferros, porcas e parafusos.

A gente pensou em criar uma intervenção que fosse uma reflexão sobre a trajetória do construir e suas particularidades. Um ritual que pudesse dar a ver a espessura do ferro que segura uma ponte ou um prédio, o peso da estaca que mantém uma lona de circo, suas equações estruturais, seus barulhos não musicais, seus encaixes únicos, e aquilo tudo que vem antes do salto, do voo, do frio na barriga. Nem todos os rituais são rigidamente definidos, alguns costumam se formar no meio da vida cotidiana, e acabam se tornando um ato reconhecível pela expressão e pelo simbolismo que há nesse acontecimento. Andando pelas ruas me dou conta que o tempo oscila seu medir, e ainda assim me pego achando seu passo curto, seu compasso acelerado. É preciso diminuir a velocidade para ver o que nos conta cada matéria, para sentir seu peso, para conhecer o ferro, e contemplar a brita ou a madeira. Nessa intervencão urbana é fundamental que o caminho represente o próprio caminho”, destaca Renato Linhares.

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FICHA TÉCNICA


“Mão”
 

Com: Adelly Costantini, Camila Moura, Carolina Cony, Daniel Elias, Daniel Poittevin, Fábio Freitas e Ricardo Dias Gomes. Musicos convidados/sub: BartOlo e Marcelo Callado.
Direção: Renato Linhares
Direção técnica: Daniel Elias
Criação e desenvolvimento dos figurinos: Antônio Medeiros e Guilherme Kato
Cenografia: Estúdio Chão/ Adriano Carneiro de Mendonça e Antonio Pedro Coutinho
Desenho original da estrutura: Keller Veiga
Música: Ricardo Dias Gomes

Musicos (sub): Marcelo Callado e Bart Olo

Produção executiva: Cida de Souza

Direçao de produçao: Adelly Costantini